Primavera sem rosas
Dessa forma não existirão mais versos nem
prosas
A primavera chegou, mas não apareceu nem
uma rosa
Ninguém entende bem o que acontece ou
deixa de acontecer
No canteiro da praça algo se passa, não se
sabe ainda o que
Mas tudo mudou devido a isso e a cidade
parou
Sentiu falta do pequeno ser que nessa
primavera não se mostrou
Até o cachorro vagabundo, deitou e esperou
Sem acreditar no que via, não uivava e nem
latia
O dedo da criança levada ainda está
suspendo e aguarda
Nem sequer há espinho malvado para
beliscar sua curiosidade aguçada
A melodia que existia, o burburinho doce que
se ouvia
Está calado esperando o seu demorado
despertar
Todos se tornaram tristes nesse ponto da
praça
Está tudo virado no mundo, mas ali sempre
houve graça
De onde irei tirar inspiração para escrever
Sem perfume, cor ou forma para descrever?
Assim como todos os poetas, fiquei confuso
e estranhando o caminho
Sem eira e nem beira, sentei no banco e
daqui espero o retorno do que foi perdido.
Edeli Almeida is from Salvador, Brazil. Since 2014, she lives in Perth, Western Australia. Almeida has a degree in social communication and MBA in business. She works as a restaurant manager but her passions are photography, cinema, literature and the arts in general. She has been writing poetry, short stories and chronicles since she was 13 years old.
By Edeli Almeida
Issue 4 | Autumn 2024