Caos nos trilhos
Mesmo que o sistema não fosse bruto
Não me sobrariam muitas escolhas
Os fardos despencaram como chuva
Destruindo o carrossel do nosso mundo.
Sem sair de casa procuro saber
Em que porta você se escondeu
Não acho pistas na televisão,
Da internet nem quero saber.
Nossas tomadas foram desligadas
Cortaram a luz do nosso jardim
Me bato toda até cair na escada
Não sobrou nada, nem mesmo o jasmim.
Aquela flor de plástico plantada
Se despetalou por todo o portão
Não choro na beira da estrada
Nem me escondo em baixo, no porão.
Procuro em você a resposta errada
Aliso um cachorro sem osso na mão
A coleira está muito apertada
Ele me morde e ainda peço perdão.
Nada está onde a gente deixou
A mesa virada, tapete no chão
Cada segundo fora dessa casa
Foi um desastre, tudo é confusão.
Não posso mais com essa merda rimada
Vou mandar a peteca sumir
Eu te contei sobre essa miragem
Mas você riu e ainda vem me aplaudir?
Edeli Almeida is from Salvador, Brazil. Since 2015, she lives in Perth, Western Australia. Almeida has a degree in social communication and MBA in business. She works as a restaurant manager but her passions are photography, cinema, literature and the arts in general. Almedida has been writing poetry, short stories and chronicles since she was 13 years old.
By Edeli Almeida
Issue 4 | Autumn 2024